Entrevista Com o Dr. Hélio Langa: De Modelo Para Empreendedor

Hoje teremos o nosso primeiro empreendedor da semana na pessoa do Dr. Hélio Langa. Ele que tem uma história inspiradora de como é que começou a sua carreira de empreendedor. Nesta entrevista ele conta-nos sobre como é que ele começou a sua carreira de empreendedorismo, o estágio do seu negócio, e os seus planos para o futuro.

Para saber mais vamos acompanhar um pouco sobre a vida deste empreendedor de sucesso e extrairmos alguma informação dele para podermos também aplicar nas nossas vidas.

SE– Quem é o doutor Hélio Langa, quais são as suas raízes até chegar a ideia de montar o seu negócio.

HL– Desde criança sempre quis ser a solução dos problemas. No princípio queria ser professor, mas fui modelo. Em cada grupinho que fazia parte era sempre um líder. Mas com o tempo apareceu a paixão pela medicina, porém, não gostava de tomar comprimidos, não gostava do cheiro de comprimidos e não gostava de ver sangue… até que apareceu a medicina chinesa, bem mesmo quando estava a introduzir-se em Moçambique. Nessa altura, fui convidado a participar de uma palestra, daí, comecei a investigar por período de um ano, onde fui descobrir que a medicina que os chineses traziam em Moçambique era convencional na China e era aprovada pela OMS e outras entidades competentes nessa área.

Quanto mais fui investigando, fui percebendo a credibilidade do assunto, dai, submeti-me aos líderes e comecei a vender os chás chineses. Com isso, algumas pessoas, inclusive familiares desconsideraram – me, e não me levaram a sério.

Mas um dia apareceu uma oportunidade para formação, onde precisavam de 100 participantes a nível de toda África, dos quais, só 11 pessoas seriam selecionadas, portanto, não só fiz parte dessas 11 como também fui um dos melhores do grupo.

Daí, Sonhei mais alto, pois estávamos num meio em que todos tínhamos que seguir a mesma visão, mas dentro desta visão eu queria ter a minha visão, porque fui entendendo que a Tianje era um instituto de formação de empreendedores. Enquanto alguns estavam preocupados em vender muito para ganhar uma viagem a China pra fazer turismo, o meu plano era de ir lá para estudar, investigar e investir. Dito feito, no momento de muita dificuldade fui a China pela primeira vez, e confesso que não foi fácil, mas consegui.

Apesar de ter sido complicado enquadrar no país, eu trazia, substâncias, documentos (certificado e credencial), trazia também um equipamento que na altura era o único e já havia montado o meu consultório, o que de certa forma tornou a minha imagem credível.

Visitei as Mídias e em cada canal que fosse, ao apresentar os meus serviços, ganhava um impacto na sociedade e desta maneira fui vendendo a minha imagem… não só … o segredo de negócio não é só vender a imagem é trazer solução para o cliente, e o cliente que tiver uma solução vai trazer mais pessoas. Hoje Estou aqui a uns 5 a 6 anos, e alguns atrevidos foram montando consultórios, que de certo modo, deixavam algumas pessoas confundidas, porém, as pessoas que conhecem o Hélio Langa não se deixam enganar.

SE– Então a empresa não está separada da sua imagem. Até que ponto isso é importante?

HL– É importante na medida em que agente se torna uma referência. Fui um dos únicos moçambicanos que por conta própria fui a China. Quando cheguei em Bejing fui humilhado e descriminado, eles nunca tinham visto um negro antes de mim, por isso quando me vissem ficavam com medo… as crianças choravam, os adultos, alguns fugiam e os que se aproximavam tocavam-me e depois se limpavam. A língua constituía uma barreira, pois só falavam a língua local e somente usavam a moeda nacional. No entanto, senti-me confortável quando cheguei a universidade Itagi porque haviam pessoas de todas as raças, de lá prossegui para uma outra cidade (iguazulli), onde comprei as máquinas e retornei a Moçambique. Sucessivamente montei o consultório, onde numa primeira fase trabalhei em casa dos meus pais num quarto humilde, posteriormente, no bairro 25 de Junho e mais tarde mudei-me para Malhangalene onde estou hoje.

SE– Acho isso impressionante, de Modelo para empreendedorismo, principalmente para medicina. Fale-nos desta transição.

HL– Sempre quis seguir medicina, mas não tinha certeza que seguiria isso, na altura quando desejava a medicina, já era modelo, já desenhava a minha roupa, nessa altura, acabava de terminar o ensino médio e estava-me formando em relações públicas e publicidade. Como modelo conquistei vários palcos, mas, por vezes tínhamos que desfilar nas casas noturnas e no seio daquele ambiente observei coisas que iam contra os meus princípios, como no caso de uso de drogas, relações indevidas… deste modo, afastei-me da moda e passei a desfilar somente pra mim.

Mas depois surgiu a paixão pela saúde, mas como empreendedor a moda não saiu de mim, o marketing também continua em mim, similarmente, a saúde também faz parte de mim. Nisso, procurei juntar o útil ao agradável. O “wellcome” do consultório tem uma figura que é a minha imagem, fiz isso com intuito de vender a minha imagem, ganhar credibilidade e também é uma satisfação pra mim como modelo. Nunca encontrei alguém que fizesse o marketing devidamente, razão pala qual, sou Director do Marketing e pessoalmente cuidei do senário do consultório, e de igual modo, sou fisioterapeuta e Director Geral.

SE– Falou que queria ser professor, mas depois engrenou para medicina, como é que descobriu esta paixão pela medicina?

HL– A área da medicina alegra-me imensamente, como disse antes, eu sempre quis ser a solução dos problemas, e… de repente e do nada, começava a fazer-me de cientista, sentava num canto, vestia uma bata e começava a transformar alguns produtos, agua aqui e ervas lá, fazia coisas como se estivesse a fazer trabalhos laboratoriais como um cientista, mas, ia fazendo sem perceber até que ponto aquilo me levaria. Foi assim que descobri esta paixão. Hoje me alegro muito com este trabalho porque consigo ser professor (de quando em vez tenho dado palestas), fisioterapéuta, médico, modelo e fazer o marketing.

SE– Os seus sonhos e visões distinguiram-te dos outros, proferira-nos disto.

HL– Quando nascemos e crescemos, temos sempre uma mentalidade: “vou estudar para trabalhar numa empresa”, nunca pensamos ou dizemos: “vou estudar para ser proprietário de um empreendimento”, é ai onde está o segredo, pois até os pais incentivam os seus filhos a estudarem para no fim meterem CV’s para trabalhar numa empresa. A partir do momento em que a pessoa tem isso em mente, ela se limita. A Tianje surgiu para ensinar como usar os produtos e a manejar a maquinaria, com o fim de um dia esse empreendimento ser seu, ainda assim, as pessoas estão a trabalhar com esperança de um dia serem solicitados para serem directores, palestrantes ou técnicos. Contudo, Ninguém viu a Tianje como um instituto de formação de empreendedores.

Desde que lá entrei, tinha uma mente de empreendedor, todavia, aprendi com os meus pais que devia submeter-me aos meus superiores, assim fiz, por isso que fui o melhor aluno. Mas, pra além, da visão que eu tinha, sabia que era preciso submeter-me, aprender e respeitar essa visão, mas na base dela, estava ciente que tinha que criar uma visão minha que consistia em ter um consultório de saúde; devia montar de uma forma credível, o mesmo tinha que ter a minha marca, alvará e toda a documentação reconhecida pela instituição e devidamente correcta, onde podia dar assistência médica e medicamentosa, neste sentido, a minha humildade e o meu comportamento favoreceram para que a Tianje desse-me a documentação.

SE– Quais são osdesafios ou obstáculos que tem enfrentado no mercado?

HL– Os desafios existem, pois, em todos os negócios existem curiosos, fantasmas e pessoas obscuras, que não são profissionais e chegam a manchar e prejudicar o meu trabalho… antes o meu consultório tinha o nome de medicina chinesa, o que chegou a ser relacionado com venda de medicamentos na rua, razão pela qual, mudei o mesmo para Langa Consultório, e as pessoas, na medida que foram investigando acabaram distanciando-me de outras coisas que não tinham nada a ver com o meu consultório. É sempre comum as pessoas curiosas aparecerem para imitarem a sua arte e ao mesmo tempo tentarem desvalorizar-te. No ano passado, apostei muito nas Mídias, fui a televisão pra falar dos meus serviços, mas nem toda gente que te assiste celebra-te no sentido positivo. Há pessoas que te observam com finalidade de imitar o seu trabalho, alguns nem são profissionais, mas imitiam o seu projecto, implementam o mesmo e criam um mínimo de vantagem com o fim de desviar os seus clientes, por isso que existe aquilo que se chama inovação. Uma empresa que depende de um trunfo para progredir está programada a falhar, pois, o trunfo que funcionou no ano passado não é o mesmo que poderá funcionar este ano. É por isso que este ano, estamos a adotar um novo sistema, para além das Mídias, iniciamos com um plano de visita nas empresas, e nelas identificamos uma figura e oferecemos assistência médica e medicamentosa. Na base desta pessoa podemos unir os outros colegas e eles serão solicitados naquela hora do almoço, para uma conversa ou palestra de uns 15 a 20, nos quais, falamos dos nossos serviços. Num número de 10 pessoas, se calhar podemos ganhar 2 e estas poderão falar dos nossos serviços, e deste modo, podemos ganhar a empresa. Ganhando a empresa oferecemos uma facilidade de pagamento em prestações, mas para tal, é preciso termos homens promotores da nossa empresa que irão vender os nossos serviços nos momentos mortos, afinal, trabalhar não é ficar a espera do cliente.

SE– Então o segredo é a inovação?

HL-Sim. Já estou no mercado a 6anos, do ano passado pra cá estamos ladeados de 10 consultórios minimamente semelhante aos nossos serviços, se reparar, a praça pública está cheia de jovens distribuindo panfletos. Já tivemos casos, em que alguns clientes que perguntaram por nós foram desviados para flats que fazem práticas de obscurantismo e só depois de localizar-nos falaram-nos. Nesse caso, há necessidade de inovar. É por isso que o primeiro trunfo que eu coloquei foi promover a minha imagem. De modo que as pessoas saibam que são muitos ervanários e fisioterapeutas mas a referência é Hélio Langa, isso, para não ser confundido.

SE– Até que ponto é importante fazer o que agente gosta?

HL– Gostar daquilo que a gente faz é fazer algo por paixão e não pelo dinheiro, mesmo sabendo que não te pagam pelo serviço. É sentir que valeu a pena ter feito, sem se preocupar muito com os ganhos nem com as vantagens. Geralmente, todo negócio tem as suas altas e baixas, as pessoas quando atravessam a época baixa, mudam de negócio alegando que não há dinheiro, e desistem do negócio para abrirem outro, não estando satisfeitos com o novo, fecham para abrir outro, nesse caso, quando a pessoa gosta do que faz, venha o que vier, ele nunca muda, contudo, inova.

SE– É possível fazer negócio em Moçambique e ter sucesso?

HL– É sim, porque Moçambique é uma terra virgem e rica. Temos recebido muita gente que vem do exterior, apesar do moçambicano ter uma mente muito colonizada, visto que até hoje valorizam um empreendimento iniciado por um estrangeiro, preferindo desse modo, trabalhar para o mesmo ainda que o salário seja pouco. No entanto, quando trata-se do empreendimento de um moçambicano, existem tantas dúvidas: onde é que estudou ou formou-se, ou aquele estudou, brincou comigo, isto é, há uma certa subestimação, o que acaba desanimando o empreendedor. Neste sentido, chega a ser difícil. Mas também é fácil porque somos nativos, conhecemos a nossa terra, estamos na capital, temos a facilidade das Mídias, algo que o estrangeiro não tem porque ainda não conhece o terreno e tem que fazer o estudo do mesmo.

SE– Que conselho darias aos jovens que querem iniciar um negócio, mas, não sabem como, ou á aqueles que acham que não é possível?

HL– Os jovens têm que eliminar manias de colocar discursos falaciosos, … “porque não tenho dinheiro”, “porque o governo não ajuda”. Assim em nenhum sítio chegaremos. É preciso criarmos mecanismo e ferramentas porque com aquele pouco que temos é possível iniciar um negócio, além disso, devemos tomar atitude porque o dinheiro que agente quer, está sempre no bolso de alguém, só precisamos mostrar a solução para que essa pessoa possa tirar o dinheiro. Ao em vez de irmos ao governo pedir financiamento e seguirmos aquela toda burocracia, porquê que não apresentamos uma proposta de apoio ao próprio governo e na base desta, as portas ficarão abertas financeiramente… isto parece loucura, mas pode funcionar.

SE– Faz algum outro tipo de negócio?

HL– Não faço outro tipo de negócio pra além deste, e não tive apoio de governo como tal. A única coisa que posso referir são as portas abertas que o governo deixou para fazer este trabalho. Estou neste empreendimento que é o segundo, pagamos impostos e colaboradores, compramos viaturas, pintamos o edifício e não temos dívidas com nenhum banco, pese embora, temos recebido várias propostas de alguns bancos para financiamento, não obstante, esta não é a minha política.

SE– Algumas premissas defendem que, para que as portas estejam abertas, temos que pertencer a um determinado partido ou ter conexões. Será verdade?

HL– A partir do momento em que agente sente que tem ser membro de um partido para iniciar algo ou para nos dar bem na vida, corremos o risco de sermos colocados contra parede, de nos sujeitarmos a troca de serviços ou ainda, a troca de ideias. Eu diria que cheguei aqui pela graça, não cheguei de enfrentar barreiras, até aqui tenho paz. Cheguei mesmo pela graça de Deus e não tenho outra justificação possível.

SE– Qual foi o seu investimento inicial?

HL– Foi na minha própria pessoa, na minha capacitação, e na legalização da própria documentação, optei em ser um indivíduo limpo, legal e credível. Esse é que foi o meu principal investimento.

SE– O seu sonho era ter o seu próprio consultório, considera se realizado?

HL– Não totalmente porque ainda não construí, mas em parte sinto-me realizado porque eu é que sou a instituição. Tudo que vês aqui, tanto a maquinaria como os equipamentos estão guardados num local, a documentação também existe no formato eletrónico. Assim, mesmo que haja uma catástrofe e isto tudo desapareça, continuarei trabalhando enquanto tiver vida.

SE– Qual é o segredo do sucesso

HL– A paixão de Cristo. Temos que amar a Deus e ter Fé. Porque dificuldades, escassez, e traições sempre teremos, mas, enquanto não tivermos Deus será difícil.

SE-Como é que concilia negócio e família

HL– É só ter responsabilidade. Houve um tempo que eu não trabalhava aos sábados, então era esse dia que me dedicava a família, mas depois comecei a trabalhar e de tarde tinha que ir a televisão, assim, tive que cancelar a televisão para ter mais tempo com a família. Tenho também o Domingo pra ir a igreja e ficar com eles e… felizmente, não sou de perder noites.

SE– Quais são os planos para o futuro?

HL– Construir um orfanato, ajudar crianças necessitadas e continuar a empregar.

SE– Há mais alguma coisa que queira dizer?

HL-A vida é vida quando a vida é vivida e volvida noutra vida. Então, vamos envolver as nossas vidas com outras vidas, não por interesse, mas com objectivo de mostrar o segredo, o trabalho e como alcançar o sucesso. Vamos seguir o trabalho não pelo dinheiro que está a dar, mas, por amor e não por ganância, pois, quem age por ganância corre risco de ir a falência.
Para saber mais sobre o Dr. Hélio Langa pode visitar o seu site.

About Edgar Chaúque

Edgar Chaúque é o fundador do Seja Empreendedor, ele é Mentor e Coach de Negócios. E é também o fundador do TecnoFala, e do DinheiroFala ,
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É o Fundador da ZIKOMU MIDIA, e mentor do projeto ARQUITETOS DO FUTURO. Pode encontrá-lo também no seu blog pessoal.

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